26 de janeiro de 2013

Ensaio sobre ela


           
Você mexeu o braço e se ajeitou no meu travesseiro. Foi o suficiente pra me fazer pensar.
Olha só onde chegamos: eu, que sempre tive um pensamento do tipo "viverei à paisana e sofrerei os danos sozinho", me vi agora querendo andar em par.

Nós dois sabemos que não cabemos nesta cidade: as janelas daqui são sempre pequenas demais.
Talvez a gente mude a cama de lugar ou compre outros livros.
Sempre queremos - ao contrário de todos - adiar as segundas-feiras e viver domingos: respeitar nossa preguiça.

Sua perna está em cima de mim, como você sempre faz.
(Quantas vezes você já ficou acordada me olhando, assim, como faço agora?)
Descobrimos uma sombra confortável e entendemos juntos que "o resto é sombra de árvores alheias".

Nos entendemos porque somos indiferentes às mesmas coisas.
Porque tudo isso soa como um clichê horrível.
Porque você me entendeu e eu nem me expliquei.
Porque não tenho medo do fundo das suas gavetas.
Porque você sempre esquece seu isqueiro comigo e eu sempre acho que foi sem querer.

Mas dorme, que amanhã ainda é domingo.





Um comentário:

  1. Sorrio todos os dias só por saber que você escreveu pra mim.

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