22 de dezembro de 2014

26 de novembro de 2014

Homem de escritório



Um mero homem
de escritório
ar de gente
arrogante
ao mar de gente
miserável
ergue a voz
semi-imponente
impotente
e perfura o silêncio
que é tão importante.

Meus ouvidos
que ouvem mesmo
sem querer
sofrem o dano
dos fonemas venenosos
e num relapso sinal
de uma sinapse qualquer
meu encéfalo cinzento
manda a ordem à minha boca
e minhas cordas tão vocais
bocejando mal humoradas
se acordam e se tremem
proferindo três palavras:

"Morra tolo, idiota."



19 de maio de 2014

A festa acabou?



É, José.
Agora aquele verso que você gostava
não te faz sentido mais
e o ar que você respira
te fez trocar suspiro por bocejo
e teu paladar agora fraco
não sente os gostos como antes.

Agora os seus livros tão cansados
de viver naquela estante
e os poemas na poeira
cada dia mais pesados
vão ficando indecifráveis
no seu crânio atrofiado.

Agora teu dinheiro tá guardado
em uma caixa com a carteira de trabalho
em uma pasta com contrato do aluguel
e com um monte de papel
sobre empréstimo bancário.

Sua bicicleta tá guardada
naquele quartinho dos fundos
junto com seu violão
que arrebentou a corda ré
e você nunca mais trocou.

E lá no fundo,
e em tudo isso:
fica o rastro
da sua
vida.