19 de maio de 2014

A festa acabou?



É, José.
Agora aquele verso que você gostava
não te faz sentido mais
e o ar que você respira
te fez trocar suspiro por bocejo
e teu paladar agora fraco
não sente os gostos como antes.

Agora os seus livros tão cansados
de viver naquela estante
e os poemas na poeira
cada dia mais pesados
vão ficando indecifráveis
no seu crânio atrofiado.

Agora teu dinheiro tá guardado
em uma caixa com a carteira de trabalho
em uma pasta com contrato do aluguel
e com um monte de papel
sobre empréstimo bancário.

Sua bicicleta tá guardada
naquele quartinho dos fundos
junto com seu violão
que arrebentou a corda ré
e você nunca mais trocou.

E lá no fundo,
e em tudo isso:
fica o rastro
da sua
vida.