16 de março de 2015

Inerte



Queria arrebentar a aorta com as mãos
e perfurar o crânio pra aliviar a pressão
ou bombear quatro vezes mais sangue para o cérebro
para enxergar minhas sinapses e os átomos pela casa.

Mas estou imóvel;
universalmente inútil;
preguiçosamente apático;
preso epitelialmente
dentro de tecidos nervosos.

Minha tristeza é saber
que nada transborda de mim
porque tudo está como sempre foi.

E parece que sempre estará.



9 de março de 2015

Homem de escritório II



O homem de escritório se acha sabido.

Investe em ações.
Aluga imóveis.

O homem de escritório tem cortador de grama.

Cobre a piscina.
Tem paisagista.

O homem de escritório adora relógios.

Tem carro do ano.
Jardim de inverno.

O homem de escritório acha que é o centro

de todo o negócio 
mas não sabe que
no fim
não é por ele
que roda a engrenagem.

E passa.

E morre.